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29/04/2010
Por Emily Steel / The Wall Street Journal
A Apple quer estrear no segmento publicitário com um preço bem salgado e pretende cobrar quase US$ 1 milhão pelos anúncios em seus eletrônicos de bolso este ano, e talvez até mais para os que quiserem ser os primeiros, dizem executivos do setor.
A Apple caiu na estrada para mostrar seu novo serviço de propaganda em eletrônicos móveis, chamado iAd, e indicou que pode cobrar até US$ 10 milhões para os que quiserem integrar o punhado de anunciantes que participará do lançamento, segundo uma pessoa a par da situação.
Executivos de publicidade dizem que estão acostumados a pagar entre US$ 100.000 e US$ 200.000 por contratos em eletrônicos móveis.
Neste mês, a Apple apresentou o iAd, um software que oferece anúncios nos aplicativos disponíveis na App Store. Os anúncios devem começar a aparecer nos aplicativos do iPhone e do iPod touch em junho, e no iPad ainda este ano, segundo uma pessoa a par da questão.
A Apple sacudiu o mundo da publicidade nos Estados Unidos com o preço proposto, que vem acompanhado de exigências iniciais de mais controle sobre as campanhas.
"É uma soma polpuda", diz Phuc Truong, diretor-gerente da Mobext, uma agência de propaganda em eletrônicos de bolso da Havas SA, que tem entre seus clientes Sears, Choice Hotels e Volvo. "O que a Apple está tentando fazer certamente vai além do que já foi feito."
Uma porta-voz da Apple disse que a empresa vai vender e veicular os anúncios, mas não quis dar detalhes, exceto para reiterar que os criadores dos aplicativos receberão 60% da receita. A Apple ficará com o restante.
A Apple anunciou quarta-feira que marcou para os dias 7 a 11 de junho sua conferência de programadores de aplicativos, quando deve anunciar a nova geração do iPhone. Caberá a eles decidir se querem incluir anúncios em seus aplicativos, embora a decisão certamente conte com incentivo financeiro.
Algumas outras empresas já vendem anúncios veiculados nos aplicativos para os eletrônicos da Apple, como a AdMob Inc., que o Google Inc. anunciou ano passado que compraria por US$ 750 milhões. A AdMob afirma que a entrada da Apple no mercado vai aumentar a competitividade e o desenvolvimento da mídia, diz Jason Spero, diretor da AdMob North America.
Zaw Thet, diretor-presidente da firma de propaganda em eletrônicos móveis 4INFO Inc., disse que a investida da Apple deve motivar outras novatas do setor a concentrar suas iniciativas em outros celulares inteligentes, como o Android do Google.
Apesar do alto preço, executivos de agências de publicidade dos EUA lotaram salas de reunião nas últimas semanas para ouvir a oferta da Apple para seu iAd.
As discussões sobre possíveis acordos continuam, mas vários executivos dizem que começaram a preparar ideias para campanhas.
Um exemplo que a Apple tem exibido aos anunciantes é uma propaganda do tênis Air Jordan, da Nike, diz Baba Shetty, diretor de mídia da agência Hill Holiday, de Boston, que pertence à Interpublic Group. Quando o usuário acessa o aplicativo, um banner animado aparece no canto da tela, juntamente com o logotipo do iAd. Se o usuário tocar no anúncio, ele se expande na tela e exibe um vídeo, um localizador interativo de lojas e ofertas exclusivas em lojas locais, entre outros recursos.
"Foi muito fácil imaginar os vários minutos de interação que as pessoas podem gastar com o anúncio. É muito atraente", diz Shetty.
A Apple planeja cobrar dos anunciantes um centavo cada vez que algum usuário ver um banner, dizem os executivos. Quando o usuário tocar o banner e o anúncio se expandir, a Apple cobrará US$ 2. Nas compras em grande volume, como o pacote de US$ 1 milhão, os custos com os dois tipos de visualização se somariam até completar o limite de US$ 1 milhão.
O público dessa estratégia é considerável: a Apple vendeu 85 milhões de unidades do iPhone e do iPod touch até agora e calcula que seus usuários passam 30 minutos por dia nos aplicativos.
Fonte: The Wall Street Journal
(FONTE: Zwela Angola - 04/05/2010) |