Pesquisa mostra perfil de usuário de telefonia móvel PDF Imprimir E-mail

01/07/2009

Heloisa Magalhães


A penetração da telefonia celular no país pode ser pouco mais de 50% e não superior a 80% como indicam os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). É o que demonstra estimativa do Yankee Group. De acordo com a empresa de pesquisas entre os 157 milhões de clientes cadastrados (até maio, inclusive) pelo órgão regulador cerca de 100 milhões podem ser identificados como usuários de uma única linha, os demais têm vários chips.

Para beneficiar-se das promoções das operadoras, a opção de muitos é ter vários chips e ir trocando no telefone de acordo com o momento. Usam aquele que está com a tarifa melhor ou o que oferece o benefício de não cobrar a ligação para cliente da mesma operadora, enfim, os clientes optam por uma solução mais adequada para o uso naquele momento.

A sabedoria popular não pode ser nem de longe questionada mas esse cenário é um dos componentes no desafio das operadoras brasileiras na melhor equação entre o equilíbrio dos investimentos na rede e a receita por usuário. Mecanismos para garantir melhor retorno no negócio foi o tema do Americas Com, evento promovido pela GSM Association, que começou ontem no Rio.

De acordo com os especialistas presentes, a banda larga móvel para acesso a internet é cada vez mais uma fonte de receita importante para as operadoras. E a demanda pelo serviço cresce de forma acelerada. O próprio Yankee Group estima que 2009 fecha com 4,4 milhões de assinantes da chamada terceira geração da telefonia celular (3G). O dobro de dezembro de 2008, disse Júlio Püschel, analista sênior do instituto de pesquisa especializado em telecomunicações.

Em maio, o Yankee fez levantamento junto a 611 assinantes de 3G em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo. Identificou que 77% deles optaram pelo serviço para ter acesso a internet com maior qualidade e com mobilidade. Usam o chamado mini modem sem fio (USB) no computador pessoal. A pesquisa aponta também que 74% assinam a banda larga 3G como pessoa física, mesmo que façam uso do serviço para trabalhar. Os restantes 26% assinam planos corporativos.

Mas quando entra em questão a busca de melhor retorno dos negócios para as operadoras, tanto Püschel como o diretor da PromonLogicalis, Luis Minoru diagnosticam que no médio prazo a prática atual das operadoras de cobrar do cliente uma tarifa fixa pela banda larga 3G pode não ser a solução mais adequada no médio prazo para as companhias de telefonia . Trata-se de um atrativo para médio prazo em especial porque a voz - mais de 90% do uso do celular no Brasil - é uma commodity e tende a ter o preço cada vez menor na acirrada competição entre operadoras.
Tanto eles como a analista americana Tammy Parker, da Informa Telecom & Midia avaliam que a tendência para as operadoras de telefonia móvel é a medida que a tecnologia vai se sofisticando, garantindo melhor qualidade na banda larga, buscar novas fontes de receita com publicidade e oferta de conteúdo.

Tammy lembrou que nos Estados Unidos, por exemplo, um dos desafios é que a penetração da telefonia celular está perto da saturação. As operadoras buscam sofisticar os conteúdos, diversificar os serviços e entram na área da comunicação entre máquinas pela infraestrutura de telefonia celular. Um exemplo é o aparelho Kindle, que permite baixar livros ou jornais direto na pequena tela. As operadoras recebem US$ 2 por mês por esse serviço, mas, segundo Tammy, trata-se apenas de um exemplo de perfil de novos serviços que tendem a crescer.

O modelo de negócios americano parte de um perfil diferenciado. Apesar de "concorrência avassaladora", como explicou a analista, lá, diferentemente do Brasil, mais de 90% dos clientes são de serviços pós-pagos o que garante maior retorno para as operadoras. Aqui, o percentual de maio, divulgado pela Anatel, é de 81,75% dos clientes pré-pago.

(Fonte: Valor Econômico – B3 – 01/07/2009)

 

 
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